Como ser um bom jogador de RPG?

Aqui nos Encontros D30 a gente sempre esteve preocupado em formar bons mestres. Muito do nosso material é sobre como fazer melhores aventuras, encontros, histórias. Que sistemas usar, dicas de terror, como usar miniaturas, etc.

Mas e os jogadores? O que você precisa saber para ser um bom jogador? Num jogo que não tem vencedores nem vencidos, não quer dizer que você não deva melhorar sempre. É isso que a gente também vai começar a discutir por aqui, e convidamos vocês para se juntarem a nós e enviarem suas sugestões!

Nós inclusive começamos isso no Podcast D30 mais recente.

Faça você mesmo
No RPG Rastro de Cthulhu tem duas páginas com conselhos para jogadores. Tudo ali é bem legal, feito por autores que são mestres e jogadores de RPG há 30+ anos. Mas o ponto que eu mais gosto é o que sugere que os jogadores devem delegar para si mesmos a solução do problema. É bem simples:

“A melhor forma de falhar é ficar na defensiva e não fazer nada… Em vez disso, discutam todas as opções mais óbvias, rapidamente escolham a que parecer mais interessante, e executem esse plano. Alguma coisa horrível vai acontecer? Claro que vai – é um jogo de terror! Alguma coisa horrível vai acontecer não importa qual o seu plano.”

Esteja disposto
Todo Encontro D30 eu falo isso pras pessoas: você não precisa aprender nada para jogar RPG, só precisa estar aberto para criar uma história junto com outras 4 ou 5 pessoas. Para isso, gente, é preciso participar. Muitos jogadores gostam do argumento de que “meu personagem não faria isso”, mas é uma péssima desculpa. E por quê? Porque é meio chato fazer a história parar por sua causa.

Se o seu personagem não faria aquilo, reclame, mas não pare o jogo! Diga que estão tomando a decisão errada, mas já participe, porque é por ali que a história está indo, e se a história está dando certo, o RPG vai dar certo e todos vão se divertir. Se o seu Paladino não torturaria o prisioneiro, tome para si o interrogatório e intimide o cara antes do ogro do lado dar um soco nele, pronto.

Se você fizer um personagem caladão diga sempre, “eu estou caladão te fulminando com os olhos”, porque você tem de participar. Quando discutirem, participe e saliente que no resto do tempo permanece caladão.

jogadoresCrie Problemas
Mas também se coloque em problemas! Se você achar que tem algo que seu personagem faria que não é a melhor decisão pro jogo, faça! Não fazer é que deve ser o pecado. Mas se é pra história ficar interessante, claro que o Ladrão deve voltar na sala com tesouro e tentar roubar alguma coisa. Claro que o Guerreiro não deve levar desaforo pra casa, mesmo quando a missão é vigiar uma pessoa na taverna.

Não seja um idiota
E por falar em Ladrão, não seja o rufião que rouba do próprio grupo. Isso é chato e ninguém mais vai te deixar sozinho no jogo, você vira inimigo dos outros jogadores, em vez de contribuir pra história. E não adianta sua habilidade em roubar ser melhor que percepção do grupo, todo mundo sabe o que você faz, e você está só sendo chato. O mesmo vale pro clérigo que não cura, o paladino que não defende, o piloto que não decola, e todo tipo de egoísmo.

Pros diabos com as regras
E o maior de todos os chatos? O advogado de regras. Cara, qual o seu problema? Se o mestre diz que é de um jeito, é daquele jeito e pronto. Depois você pode conversar com o mestre sobre a melhor forma de aplicar as regras. Se você puder e gostar, é muito bom aprender o sistema de regras que vai usar no jogo, só não seja um pentelho sobre isso.

Esteja presente
Você sabe como isso funciona. Dê toda a sua atenção ao jogo. Desligue o celular, ou no mínimo coloque no silencioso e não atenda ou escreva nele. Se não conseguir fazer isso, saia da mesa. Nós vivemos numa sociedade do déficit de atenção. Ninguém faz isso por mal, mas a gente precisa reverter isso, e o jogo de RPG é uma boa hora pra exercitar o desapego eletrônico!

Fale in character
Fale como seu personagem, não apenas diga o que seu personagem quer dizer. Claro que isso é discutível, e fazer vozes e sotaques nem sempre funciona, mas sempre que possível interaja. Uma dica é ver o que o mestre e os outros jogadores estão querendo naquela hora. Nem toda negociação é pra ser feita com o taverneiro, mas quando o mestre te perguntar algo como um dos personagens da história, responda como o seu personagem, é genial e divertido fazer isso!

Exemplo
A melhor história que eu tenho como mestre aconteceu com uma amiga minha, a Lu. Um dia a gente estava jogando uma partida de Call of Cthulhu, e num momento fomos a um bar de jazz.

37encontro-52Na casa do nosso amigo tinha um bar, sabe, daqueles de sala? Eu me coloquei do outro lado, limpando uns copos, e os jogadores foram se espalhando pela sala.

A Ju era cantora, ela ligou um CD da Nina Simone e ficou dubando, o detetive se sentou no bar, e o psicólogo foi para uma mesa do salão. Eu conversei um pouco com eles, e logo mudei para ser um dos clientes, encostado no balcão, era ele o NPC que tinha informações. Foi aí que a Lu, que interpretava uma sedutora esposa de gangster, foi até o NPC e me passou uma cantada.

Eu e a Lu somos amigos há muito tempo, não tinha nenhuma cantada implícita, ela estava namorando um amigo meu, e era amiga da minha namorada. A cantada que ela me passou era do personagem, e eu não precisava que ela rolasse nada pra saber que funcionou. Todo mundo vibrou com a cena, em que a gente não precisou sair dos personagens hora nenhuma. Cada um assumiu seu papel e “fez” a cena.

Divida o centro das atenções
Isso também nos leva a mais uma dica: divida o palco com os outros jogadores. Divida os louros, chame os outros para participar. Quando você olhar em volta, e alguém não estiver participando, chame aquele personagem para te ajudar. O ladrão vai invadir a guilda, mas o clérigo ainda não participou do jogo naquela noite, chame ele para ir e dar apoio à ação.

Nunca, nunca responda a todos os chamados do mestre, olhe em torno e sugira quem é o melhor para aquele trabalho.

Qual o seu tipo de jogo?
Existem muitos tipos de jogador, desde de quem gosta de atuar até quem se diverte mexendo miniaturas pelo grid de batalha. Essas dicas servem para todos eles, mas não importa qual o tipo de jogo que você gosta, seja um contador de histórias. É disso que se trata o RPG, mesmo que você se divirta com a formação tática, com as missões de especialista, com a chance para o trabalho em equipe. No final as nossas lembranças são das coisas épicas que fizemos e da história que construimos juntos.

No Encontro D30
E nos encontros? Que dicar podemos dar pros jogadores? Primeiro, que RPG é uma diversão coletiva. Então preste atenção nos outros, seja educado, ensine as pessoas que sabem menos, e divida o palco e as ações com todos.

Para quem é novato, não tenha medo de fazer perguntas. Fale quando tiver vontade, e siga o exemplo dos outros jogadores.

Depois de cada jogo, peça um retorno dos outros jogadores e principalmente do mestre, e esteja aberto a críticas e elogios.

Não se esqueça de ouvir nosso Podcast com dicas para jogadores, e aproveitem para ver os 10 mandamentos do bom jogador criados pelo Diogo Nogueira para o blog Pontos de Experiência.

Esse artigo se baseia bastante no livro Playing Unsafe, recomendo principalmente para os mestres.

Comments

  1. Sem esquecer que quando for uma campanha e o mestre pedir para os jogadores não montarem combos, acúmulos de talentos itens mágicos e classes os jogadores devem seguir o conselho, na minha mesa é sempre a mesma pessoa que não segue o conselho.

    1. Author

      O conselho aí é que todo jogador deve saber em que tipo de mesa está jogando. Tem lugares em que o fazedor de combos é bem-vindo, e em outros é irrelevante… ou até mesmo prejudicial!

      fazer combos em si pode ser uma diversão, mas o mais divertido é jogar em grupo!

  2. “Não seja um idiota” é uma regra universal que muita gente deveria aprender tanto em ON quanto em OFF… Hehehe! 😀

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