Artigo publicado em: 07/12/12 12:15 AM


Jogando Scion com os deuses de Tormenta

Olá roladores de dados brasilienses! Meu nome é Luiz Fernando (ou Luiz Alface) e venho aqui escrever esse artigo, a pedido do ML, sobre uma aventura que narrei no Encontro D30 Dia Tormenta. Como o desafio era fazer um jogo em que a Tormenta fosse um dos elementos, resolvi adaptar Scion para o cenário de Arton. Assim, antes de começar a falar sobre a adaptação, vamos conhecer um pouco mais o que é Scion.

Os filhos dos Deuses para Storyteller
A premissa básica: você é o filho de um deus ou uma deusa da mitologia que acabou sendo chamado (querendo ou não) para servir de soldado na guerra contra os titãs e os filhos deles.

O cenário de jogo é um mundo moderno onde a maior parte da história humana foi influenciada pela presença de deuses e criaturas mitológicas sem que a humanidade saiba. A 2ª Guerra Mundial, por exemplo, foi uma luta entre diferentes panteões.

No cenário existe aquele gostinho de magia escondida na sociedade, com uma abordagem bem parecida com as histórias de Neil Gaiman (inclusive Deuses Americanos e Os Filhos de Anansi são grandes fontes de inspiração para Scion. Assim como Percy Jackson). Então, se prepare para encontrar gigantes vivendo nos becos e liderando gangues, medusas andando disfarçadas pela sociedade e filhotes de Fenris espreitando pelas florestas.

Em um mundo com tantos perigos à espreita, os personagens precisam de poderes! E isso é o que não falta. Os Heréus (como são chamados aqueles que possuem sangue divino) têm capacidade de ultrapassar os limites humanos e podem adquirir um bom arsenal de objetos mágicos, seguidores e criaturas mitológicas para ajudá-los.

Esse é um jogo de aventuras épicas ambientadas no mundo moderno, onde você começa como um herói com traços divinos (como Perseu, Siegfried ou Cú Chulainn) e pode terminar como um deus.

O livro básico oferece as seguintes mitologias: Egípcia, Grega, Nórdica, Azteca, Japonesa e Vodu. Nos suplementos oficiais você pode encontrar as mitologias Celta, Hindu, Persa e Chinesa.

A internet possui muitas regras alternativas legais para o sistema, incluindo regras para criação de relíquias, regras de combate social e até novos panteões (como os Perpétuos de Sandman, Os deuses Eslavos e até mesmo os deuses Indígenas brasileiros, dos quais falarei um pouco mais adiante).

Scion em Arton
O penúltimo evento D30 tinha como tema o cenário de Arton e a tempestade que dá nome ao jogo. Imediatamente imaginei como seria trazer o clima de Scion para o cenário de Arton.

A primeira coisa que pensei foi como trazer o sabor de Scion para Tormenta. Em seu cenário original, os filhos dos deuses despertam devido à necessidade: os titãs estão soltos, espalhando filhos e corrompendo mortais. Além disso, representam uma força que se opõe diretamente aos deuses. No cenário de Arton temos a ameaça da Tormenta, uma força aberrante que se opõe a tudo que seja natural e possui uma força muito grande corrupção.

Porém, o jogo não é só sobre enfrentar inimigos. Os deuses devem ser carismáticos e agir por meio de muitos intermediários. Em tormenta existe o panteão que, na minha opinião, são os personagens mais legais do cenário. Os deuses não são perfeitos e já cometeram muitos erros por aí (inclusive a Tormenta nasceu pela curiosidade e ambição dos deuses) e costumam agir por meio de emissários.

Personagens
Para o jogo escolhi ter 6 personagens disponíveis e escolhi os 6 deuses que serviriam como “pais” divinos. Esta escolha foi um pouco difícil, mas acabei escolhendo Keenn (O deus da guerra), Tenebra (a deusa da noite), Lin-Wu (o deus da tradição e dos samurais), Alihanna (a deusa da natureza), Valkária (a deusa da humanidade e do heroísmo) e Tanna-Toh (a deusa do conhecimento). Por momentos considerei em escolher Khalmyr (o deus da justiça e líder do panteão) ou Wynna (a deusa da magia), mas no final achei que os 6 iniciais dariam personagens mais interessantes.

Por fim, a hora da aventura!
Acabei decidindo mostrar o quanto a Tormenta podia ser cruel e corruptora e ainda assim oferecer muita chance de ação. A aventura se passou em um manicômio onde pessoas que ficaram loucas pela influência da Tormenta eram mantidas para não se misturarem com a sociedade. O lugar é administrado por “clérigas de Marah” (a deusa da paz), que parecem muito bondosas a princípio, mas logo revelam sua identidade verdadeira: cultistas da Tormenta.

O local foi escolhido para isso porque ninguém presta atenção no que os internos falam (se eles tentam contar a verdade, as clérigas dizem que é apenas um delírio).

As cultistas pegavam aqueles internos que não recebiam visitas há muito tempo e faziam rituais para a Tormenta, modificando seus corpos para se tornarem cada vez mais parecidas com aquilo que cultuam. Todas usavam máscaras para ocultar os sinais de corrupção, mas quando perguntadas afirmavam que a chuva ácida da Tormenta acabou danificando seus rostos.

O líder do culto era uma criança modificada pela tormenta conhecida apenas como “o pequeno deus”. Ele foi uma criança que sobreviveu ao ritual e ganhou estranhos poderes.

No final das contas a aventura foi bem divertida e o pessoal conseguiu entrar bem no clima do jogo.

Fazendo filhos de deuses (ou melhor, a ficha deles)!

Para facilitar a adaptação achei melhor pegar um deus existente como base e fazer algumas modificações para que ele vire um deus do panteão. Então fui dividindo os heróis pelo conceito que queria que eles representassem e fazendo a ficha. Aqui vai uma pequena descrição dos filhos dos deuses, do poder de cada panteão, dos poderes escolhidos e o motivo pelo qual liguei eles a um deus já existente.

Baixe as fichas feitas por Alan Lee!

Para Kardos, o filho de Keenn, resolvi usar o deus Ares, o deus da guerra grego. Além do fato óbvio de que ambos deuses representam o mesmo portfólio, o panteão grego (chamado de Dodekatheon em Scion) possui um poder especial de buscar a perfeição em uma habilidade (que no caso de Kardos obviamente foi Armas Brancas). Além disso os poderes de Ares combinavam perfeitamente com Keenn: Força Épica, Vigor Épico e Guerra.

Nocturia, a filha de Tenebra, acabou sendo ligada ao Barão Samedi, da mitologia vodu. Escolhi ele em especial por ser um deus ligado à morte e escuridão e devido ao poder especial do panteão (conhecido como Loa em Scion), que é o poder de entrar no corpo de outras pessoas e fazer ações por ele. Achei bem apropriado para uma deusa que criou os fantasmas e outros mortos-vivos que fazem possessão de outros. Além disso, escolhi para ela Carisma Épico, Destreza Épica, Vigor Épico,Morte e Escuridão. Tenebra é assustadora e sedutora ao mesmo tempo e eu queria que sua filha representasse isso.

Para Cerce, a filha de Valkária, escolhi o Deus Odin, do panteão Nórdico. Os Aesires (nome dos deuses nórdicos) possuem o poder de inspirar a força dos outros através do sangue e Odin é um deus que apoiou (e algumas vezes matou) muitos heróis por aí. Seus poderes são Destreza Épica, Vigor Épico, Carisma Épico, Percepção Épica, Raciocínio Épico e Guerra. Imaginei uma heroína versátil que se encaixaria em qualquer tipo de aventura, assim com sua mãe.

Sebastian, o filho de Tanna-Toh foi uma ficha interessante. Normalmente um filho da deusa do conhecimento teria Inteligência Épica, mas acabei decidindo colocar nele Manipulação Épica, uma vez que imaginei alguém tão inteligente que seria capaz de refutar a lógica dos outros e impor a sua própria a qualquer momento. Acabei escolhendo Isis para simular Tanna-Toh, uma vez que é uma deusa cheia de truques e conhecedora de magia. Os poderes de Sebastian tentam emular tanto um general capaz de realizar estratégias incríveis quanto um sábio que desvenda qualquer mistério. Seus poderes são Manipulação Épica, Magia e Mistérios.

Kenji, o filho de Lin-Wu acabou sendo ligado à Hachiman, um deus que representa todas as classes do Japão feudal. Eu pensei nele ao mesmo tempo como um grande guerreiro e um monge iluminado e seus poderes se refletem nisso, uma vez que o panteão japonês é capaz de falar com os espíritos (kamis) e pedir favores a eles. Os poderes de Kenji são: Destreza Épica, Carisma Épico, Raciocínio Épico e Proteção.

Por fim temos Coração de Urso, filho de Alihanna. Pensei nele como um líder bárbaro, a ligação entre a natureza e a humanidade. Ele está ligado à Quetzalcoátl, do panteão Azteca. Apesar de vir de um panteão bem sangrento e selvagem, Quetzalcoátl é o mais pacífico dos deuses Aztecas, o que combina muito com a dualidade de Alihanna e Megalokk. Os Atzlánti (deuses Aztecas) possuem o poder de fazer sacrifícios de sangue para recuperar sua energia mágica e isso me pareceu muito com o sacrifício que algumas tribos bárbaras podem fazer. Os poderes de Coração de Urso são: Carisma Épico, Destreza Épica, Saúde, Céu e Terra.

Faça o download das fichas feitas pelo Alan Lee!

A Trilogia de Tormenta pode ser uma inspiração para esses jogos

Considerações Finais
Scion é um cenário muito rico e tentei colocar um pouco do clima aqui neste artigo. Em anexo vocês podem baixar a ficha dos personagens da aventura. Elas foram simplificadas para que as informações desnecessárias desaparecessem e para que seja fácil alguém pegar uma pela primeira vez em um evento e entender os poderes (que tiveram os nomes trocados para fazerem mais sentido com os personagens).

Para quem se interessar em conhecer Scion, o Thiago Haiachi do blog Hayashi no Ie fez uma tradução do livro básico, divida em duas partes (o livro do jogador e o livro do narrador, além disso ele criou um arquivo com os deuses brasileiros, para você jogar Scion na sua cidade!

Espero que tenham gostado do artigo e bons jogos para vocês!

[box icon=”http://d30rpg.com.br/wp-content/uploads/2011/05/d30fav.jpg”]O D30 quer publicar suas aventuras e ideias! Nos encontros, temos tentado aliciar os mestres que trouxeram as ideias mais interessantes para que publiquem suas aventuras, o Luiz foi o primeiro, e esperamos que você também queira dividir as suas. Achei essa ideia genial, e mal posso esperar para fazer uma campanha com deuses de Forgotten Realms! Qual o seu panteão preferido? [/box]

Sobre autor convidado

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Comments

  1. Muito Show, gostaria muito de jogar essa aventura…

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