Artigo publicado em: 12/30/19 5:15 PM


Minha retrospectiva rpgística de 2019

Hoje é dia 31 de dezembro, último dia do ano, e eu já estou sem esperanças de ter mais alguma atividade rpgística para 2019 – não que tenham sido poucas, mas o vício é grande hehehe. Então, aproveitando esse momento tradicional de reflexão, resolvi escrever um pouco sobre minhas experiências no mundo do RPG e compartilhar como foi esse ano para mim.

Para começar, minha primeira partida aconteceu em janeiro, durante um evento geek promovido pelo Sesc 504 Sul, em Brasília. Foi uma sessão Mouse Guard mestrada pelo meu querido amigo Larcher, que já tinha o livro antes da tradução lançada pela Retropunk. Eu li o primeiro arco das HQs quando saíram por aqui, uns anos atrás, e fui atrás de outras histórias. Então eu já gostava bastante do cenário todo, mas o RPG me arrebatou! O jogo é lindo com a arte fantástica do David Petersen (que é o ilustrador e criador das histórias) e captura muito bem o clima de heroísmo e os perigos na vida dos ratinhos. Curiosamente é o livro que eu encerro o ano lendo para mestrar em 2020.

Esse ano tive um momento muito significativo na minha vida de jogos, pois participei de um evento do Green Peanuts Tavern, em que pude jogar com meu filho Arthur pela primeira vez. Eu disse jogar, pois quem acompanha minhas experiências de jogo sabe que desde que ele tem cinco anos, eu mestro para ele, mas os dois participarem como jogadores, foi a primeira vez. E agradeço demais ao meu parceiro Volnei Freitas que fez isso acontecer durante uma partida de Psi*Run. Inclusive foi uma sessão muito maneira de um RPG que eu não tinha jogado ainda e fiquei muito fã! O jogo criado pela Meguey Baker fornece uma mistura de superpoderes, fugas alucinadas e um sistema que cria a história do passado e do presente de maneira colaborativa entre os jogadores.

Por falar em jogo com o Arthur, agora em 2019 nós completamos um ano de campanha no nosso grupo de crianças. Eu falo grupo de crianças, mas, na verdade, são jovens adolescentes que se conheceram quando crianças, jogaram algumas partidas juntos e só a pouco conseguimos nos organizar como grupo. E aqui eu tenho de agradecer ao empenho dos queridos pais e mães envolvidos: Cássia, Zé Marcelo, Eduardo, Paula, José e Lilian. Pessoas incríveis que me deram a grata oportunidade de mestrar uma campanha de Dungeons & Dragons para seus filhos. E o jogo deu tão certo que os jovens Arthur, Marina, Pedro e Léo estão bem empolgados em manter a campanha para mais alguns anos (e níveis a mais). Vale destacar que é uma mesa “Old School”, com um D&D Basic e eles ainda não passaram do terceiro nível…

Mas enquanto a campanha “das crianças” está longe de acabar, nesse final de ano encerrei minha campanha de D&D 5ed no mundo de Greyhawk. Foram dois anos e nove meses de aventuras incríveis, histórias emocionantes e personagens sensacionais. Ao longo dessa “vida”, tivemos 11 personagens e 11 jogadores, sendo alguns apenas passageiros enquanto outros se mantiveram do começo ao fim. Uma parte dessa campanha começou a virar o conto “Reino da Escuridão Eterna”, mas precisei interromper a escrita por falta de tempo (ainda vou terminar, tenho horas de histórias para transcrever). Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo, pois foi uma mesa que marcou minha vida dentro e fora do jogo. Um pedaço da minha própria história se juntou à difícil vida dos aventureiros e tivemos muitas emoções. E, por tudo isso, só tenho a agradecer aos meus grandes amigos Cams, Larcher, Tio, Bruno, Daniel, Deus e Rodrigo. Obrigado, de coração!

Além das minhas campanhas correntes (semanais e quinzenais), tive o prazer de experimentar dois jogos excelentes que ainda não havia tido oportunidade e rolar dados em um jogo bem divertido que há anos não via mesa. Antes preciso apenas dar destaque para um grupo querido que joga esporadicamente, mas que tem objetivo de testar RPGs novos ou diferentes. Nele, a figura central é o Carlos Adão, cara gente boa demais e quem geralmente cede a casa, temos outros participantes ilustres como Volnei Freitas, a Cris – que começou a jogar recentemente e já manda bem demais; e outros amigos como o Alface, o Larcher e o Arthur Lima. Pois bem, um dia desses tivemos a possibilidade de jogar duas partidas rápidas. A primeira foi de Malditos Goblins, um jogo zoeira total em que aventura e galhofa dão o ritmo da coisa. Lançado pelo Coisinha Verde, tinha bons anos que não narrava isso, mas foi bem divertido explodir goblins enquanto nossa pizza nãom chegava.

Então, logo depois, passamos para a parte séria da noite: Veridiana. Olha, e vou falar pra vocês, que jogo tenso! Ele vai fundo em uma onda melancólica e meio depressiva, pois trata de um assunto pesado: a morte lenta e degenerativa dos personagens. Desde o começo sabemos disso, mas ao longo da história o clima só vai ficando mais soturno. Terminamos a partida bem reflexivos. Um ótimo jogo, mas não recomendo a qualquer um. Mais pro fim do ano o Carlos ainda narrou uma partida de Goddess Save the Queen (que agora está na excelente Secular Games) para um grupo diferente, com o Zé Marcelo, Cássia e a Nachi das Manas do RPG. Foi ótimo porque eu já tinha lido o livro, mas ainda não tinha a experiência da mesa. Adorei a partida e o RPG é muito divertido, com seu clima à lá India Jones!!

E ainda falando em D&D (sim, falo muito desse jogo, pois é a gênese de tudo para o RPG e para mim), não poderia deixar de fora alguns fatos marcantes como minha volta ao AD&D, por convite do amigo Silvio que esta narrando uma excelente mesa de Dragonlance; a realização do Gary Gygax Day em Brasília com várias edições de D&D, organizado juntamente com meus brothers Tiago Rolim, Lucas Rolim e Marcello Larcher; os eventos mais que tradicionais do Grupo D30, que chegou a marca de 11 anos ininterruptos criando, fortalecendo e divulgando a cena rpgística de Brasília.

Tivemos também ótimos podcasts (que precisamos dar uma parada por dois meses, mas já retomamos firmes), e durante alguns eventos que reuniram pessoal de outros estados, pudemos trocar experiências e gravar com gente legal como o Rafael Balbi (Café com Dungeon), Thiago Rosa (RPG Notícias), Amedyr e os garotos da Formação Fireball. Por fim, vale destacar o estreitamento da minha relação com Greg Hutton, o inglês autor de 3:16 – Carnificina entre as Estrelas. Nossas conversas super proveitosas sobre o jogo me deram um estalo para um artigo maneiro e pode render coisas muito bacanas para esse ano que se inicia.

Diante de tudo isso, só tenho a agradecer a todos os jogadores que sentaram para alguma partida comigo, a todos os mestres que participaram dos Encontros, a todos da família D30 e todos os parceiros desta jornada: GPT, Manas do RPG, Taverna da Lhama, Mercado RPG, Biblioteca do Sesc 504 Sul, Ateliê da Meme entre outros.

 

Sobre Janary Damacena

Janary Damacena escreveu 134 posts neste blog.

Sempre interessado em narrações fantásticas e de horror, apreciador de boa interpretação e defensor da regra de ouro.

Comments

  1. Que maneiro e motivador!! Valeu por compartilhar! E vamos jogar mais juntos.

  2. Bem massa o relato! Nesse próximo ano espero conseguir jogar em mais mesas mestradas por mais integrantes do D30 😀

    1. Que fera Daniel, fico feliz que tenha curtido! E para 2020 vamos jogar mais. Acho que nunca sentamos numa mesa pra rolar dados hein?

  3. Moço, você não tem ideia da alegria que você nos proporciona ao mestrar pros nossos “meninos”! Acompanhar a criatura encantada com D&D é um presente. Que venham muitos outros anos e níveis!

    1. O prazer dessa mesa é todo meu! Tenho uma satisfação enorme em me reunir com esses jovens e, juntos, desbravar um mundo fantástico, enfrentando criaturas míticas em busca de tesouros incalculáveis e glória para toda a vida!

  4. Obrigado por compartilhar tantas mesas excelentes comigo, meu amigo!

    1. Author

      É uma satisfação inenarrável participar de todos esses jogos com você, meu amigo. Só acho que temos que jogar mais 🙂

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